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Angústia da Separação: quando estar longe é tão difícil para o bebê (e para a mãe)

A angústia da separação é dessas experiências que ouvimos falar, mas só entendemos de verdade quando chega até nós. É no instante em que você tenta sair do quarto devagarinho e o choro do seu bebê ecoa atrás de você, ou quando percebe que aquele pequeno que antes aceitava outros colos agora só encontra paz nos seus braços. Se você chegou nessa fase, respire fundo: você não está sozinha.

Ela pode trazer lágrimas e inquietação, mas também revela um marco precioso do desenvolvimento emocional do seu bebê — a descoberta de que você continua existindo mesmo quando não está por perto. E, junto com o choro dele, muitas vezes vem também o aperto no coração da mãe, que precisa aprender a lidar com a sua própria dificuldade em se afastar.

No meio de tanto choro, colo e despedidas apertadas, há algo silencioso e poderoso acontecendo: o vínculo se fortalece. A angústia da separação, embora desafiadora, é também um sinal de crescimento — do bebê e da mãe.

Vamos compreender melhor quando essa fase costuma aparecer, como ela se manifesta e, principalmente, quais caminhos podem torná-la mais leve, acolhedora e cheia de significado para toda a família.


O que é a angústia da separação?


A angústia da separação é uma etapa natural e muito importante do desenvolvimento físico e emocional do bebê. Geralmente aparece entre os 6 e 24 meses de vida, com um pico mais intenso por volta dos 8 a 10 meses, quando o bebê começa a perceber algo novo e, ao mesmo tempo, desafiador: ele e a mãe (ou a figura principal de cuidado) não são a mesma pessoa. Até então, ele se sentia como uma extensão dela — um só corpo, um só espaço, um só mundo.

Aos poucos, o bebê descobre que, quando você sai do campo de visão dele, você não deixa de existir. Essa percepção, que parece simples para nós adultos, é enorme para o universo emocional dele. Surge então a ansiedade: ele sabe que você continua por aí, mas não entende nem controla quando (ou se) você volta. O choro, então, é a forma mais poderosa e instintiva que ele encontra para expressar: “Fica comigo, eu ainda preciso de você aqui.”

É essa sensação que dá forma à angústia da separação, fazendo com que o bebê chore, fique agitado ou até manifeste outros sinais sempre que você não está por perto. Esse desconforto tende a se intensificar na hora do sono, quando a distância física e emocional de não estar nos seus braços se torna ainda mais evidente. Não é raro que os despertares sejam mais frequentes e que o bebê tenha dificuldade para se acalmar sozinho.

Ao viver essa experiência repetidas vezes e perceber que a mãe sempre volta, o bebê começa a construir algo precioso: a base da confiança e da autonomia que vai sustentar suas futuras relações.

Por isso, embora seja um período de desafios (para ele e para você), a angústia da separação também é uma oportunidade: a de fortalecer ainda mais o vínculo de segurança e amor com o seu pequeno.


Por que essa fase é importante?


A angústia da separação não é apenas uma reação emocional — ela faz parte de um processo maior, ligado ao desenvolvimento cognitivo e afetivo do bebê. É o sinal de que ele está crescendo, se tornando mais consciente do mundo à sua volta e aprendendo, aos poucos, que a sua ausência é temporária.

Por mais desafiador que seja, esse período traz conquistas importantes:

  • O bebê começa a desenvolver a permanência do objeto, ou seja, a capacidade de entender que algo (ou alguém) continua existindo mesmo quando não está visível.

  • O vínculo entre vocês se fortalece, porque ele reconhece em você alguém único, especial e insubstituível.

  • Essa etapa abre caminho para a construção da autonomia futura, já que aprender a lidar com separações é parte natural do amadurecimento emocional.

Ou seja, ainda que o choro aperte o coração, a angústia da separação é, na verdade, um passo saudável na construção da confiança e da segurança emocional do seu bebê.


Como reconhecer a angústia da separação no dia a dia


Cada bebê vive a angústia da separação de um jeito único. Alguns expressam de forma mais intensa, outros de maneira mais sutil — e ambos são absolutamente normais. O importante é observar o comportamento do seu pequeno e reconhecer quando ele está pedindo mais proximidade e segurança. Esses sinais ajudam você a entender o que ele sente e a oferecer o apoio necessário nessa fase desafiadora.

Entre os sinais mais comuns, podemos destacar:

  • Choro frequente ao se separar: talvez o sinal mais evidente. O bebê chora quando a mãe ou o cuidador de referência sai de perto, muitas vezes de forma intensa e persistente, porque ainda não sabe lidar com a ausência.

  • Apego maior: ele pode querer colo o tempo todo, segurar na sua roupa ou não desgrudar de você. Esse comportamento não é “manipulação”, mas uma forma de buscar segurança diante da ansiedade.

  • Medo de estranhos ou situações novas: rostos desconhecidos ou ambientes diferentes podem provocar choro, desconforto ou a necessidade de se esconder. É o bebê mostrando que já distingue quem faz parte do seu círculo de confiança.

  • Alterações no sono: é comum que, nessa fase, o bebê tenha mais dificuldade para adormecer, acorde com frequência ou fique ansioso ao perceber a mãe se afastando na hora de dormir.

  • Mudanças no apetite: a ansiedade pode mexer com a alimentação. Alguns bebês comem menos, enquanto outros procuram consolo na comida, aumentando a ingestão.

Esses sinais podem variar em intensidade e duração, mas todos têm algo em comum: revelam a necessidade de proximidade, acolhimento e segurança.

Reconhecer esses sinais é o primeiro passo. O segundo é entender como acolher essa fase, sem pressa, com leveza e presença.


Cuidando do bebê (e de você) nessa fase


Não existe fórmula mágica para atravessar essa fase, mas algumas estratégias podem torná-la mais leve e ajudar o bebê a sentir-se seguro diante da separação. O objetivo não é eliminar a angústia de imediato, mas acolher esse momento de desenvolvimento com calma, paciência e presença.

  • Crie uma rotina previsível: quando o bebê sabe o que esperar ao longo do dia, ele se sente mais seguro e confiante. Uma rotina consistente, especialmente com rituais antes de dormir, transmite tranquilidade e ajuda a reduzir a ansiedade.

  • Antecipe o que vai acontecer: avise o bebê antes de sair. Mesmo que ele ainda não entenda todas as palavras, ouvir a sua voz explicando faz diferença. Diga de forma simples que você vai se ausentar e que logo estará de volta. Essa antecipação ajuda a criar previsibilidade e fortalece a confiança de que, sempre que você sai, retorna.

  • Evite sair às escondidas: quando o bebê percebe que você desapareceu sem aviso, a sensação de insegurança pode aumentar.

  • Pratique pequenas separações: brincadeiras como o clássico “cadê-achou” ensinam ao bebê que você vai, mas sempre volta, reforçando a confiança.

  • Despedidas rápidas e confiantes: prolongar a saída pode aumentar a ansiedade. Um abraço apertado, um sorriso e palavras simples de encorajamento ajudam muito mais do que tentativas de sair sem que ele perceba.

  • Cuide da sua própria segurança emocional: os bebês percebem como nos sentimos. Se você transmite confiança, ele também se sentirá mais capaz de lidar com o momento.

  • Ofereça um objeto de transição: uma naninha, paninho ou bonequinho pode servir como ponte afetiva, ajudando o bebê a sentir-se conectado a você mesmo quando não está por perto.

  • Valorize os momentos de conexão em casa: brinquem juntos, cantem, dancem, leiam histórias. Esses instantes de presença plena — sem distrações de celulares ou outras telas — fortalecem o vínculo e ajudam o bebê a sentir-se ainda mais seguro e amado.

  • Respeite o tempo do bebê: cada criança vive a separação de um jeito único. Tenha paciência e ofereça carinho, mostrando sempre que você retorna. Essa constância, repetida dia após dia, é o que fortalece a confiança.


E, acima de tudo, lembre-se: não se trata de “acostumar mal” nem de “ensinar errado”. Trata-se de acolher uma necessidade real e legítima do desenvolvimento emocional do bebê, fortalecendo o vínculo de confiança que o acompanhará para toda a vida.


O outro lado da angústia da separação: a dor materna


Não é só o bebê que sofre com a distância. Muitas mães também vivem a sua própria angústia da separação.

O coração aperta ao voltar ao trabalho, ao deixar o bebê na creche ou até mesmo ao colocá-lo para dormir em outro quarto. Junto com esse aperto, muitas vezes surgem a culpa, o medo de não estar presente o suficiente e a preocupação de que o vínculo possa se enfraquecer.

Mas é importante lembrar: o vínculo não depende do tempo em que ficamos grudadas, e sim da qualidade da presençaquando estamos juntas. O bebê não precisa de uma mãe perfeita — precisa de uma mãe real, que acolhe, ama e também cuida de si.

Reconhecer a própria angústia, falar sobre ela e buscar apoio em familiares, amigos ou profissionais é um ato de cuidado profundo, não apenas consigo mesma, mas também com o bebê. Porque uma mãe que se sente amparada consegue oferecer um colo ainda mais seguro.


Um passo de crescimento, não de afastamento


Se puder, olhe para esse momento não apenas como um obstáculo, mas como uma oportunidade: a de fortalecer o elo com o seu bebê, mostrando a ele que, mesmo quando você precisa se afastar, o amor e a segurança continuam sempre presentes.

A angústia da separação, apesar dos desafios, é uma etapa natural e cheia de significado — tanto para o bebê quanto para a mãe. É nesse vai e vem entre presença e ausência que o vínculo se fortalece e que a confiança começa a ser construída.

Lembre-se: você não precisa ter todas as respostas, apenas estar disponível com amor, paciência e constância. Aos poucos, seu bebê vai aprender que sempre que você sai, também volta. E você, como mãe, vai descobrir que o amor permanece firme, mesmo na distância.



Se você quiser compreender mais profundamente o que está por trás das mudanças do sono e como apoiar o seu bebê em cada fase, a Academia do Sono Infantil está aqui para te ajudar. O nosso Método A.M.A.R. pode te guiar com leveza, empatia e base científica — ajudando sua família a viver o descanso como ele deve ser: natural, respeitoso e cheio de amor.





Por Mariana Friend

Especialista em Sono Infantil, fundadora da Academia do Sono Infantil e criadora do Método A.M.A.R., um modelo de acompanhamento que une ciência, vínculo e respeito ao ritmo único de cada bebê.







 
 
 
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