O Colo e a Culpa
- AcademiaDoSono

- 2 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Quantas vezes você já ouviu
"Ficar no colo o tempo todo vai acostumar mal"?
Ou "Se continuar assim, ele nunca vai querer sair do colo"?
Ou ainda: “Nunca vai dormir bem se só dormir no colo”?
Eu também ouvi. Muitas vezes.
E, por um bom tempo, me perguntei se estava mesmo fazendo algo errado.
Essas frases, ditas com tanta naturalidade, vão se empilhando dentro da gente.
E, sem perceber, nos vemos cheias de medos que não são nossos.
Medo de estar atrapalhando, medo de criar “dependência”, medo de nunca mais dormir bem, medo de que o amor vire um problema.
A culpa, então, toma conta — e nos faz duvidar do nosso instinto mais primitivo: acolher.
Mas a verdade é que o colo não é um erro.
O colo é abrigo, é segurança, é amor em forma de braços.
É onde o bebê reconhece o cheiro da mãe, escuta o coração que já foi casa, e sente que está tudo bem no mundo.
O colo é necessidade.
Para o bebê, sim — mas também para a mãe.
Porque na exaustão dos primeiros dias, no choro que a gente não entende, no cansaço que não dá trégua, o colo também conforta a gente.
Segurar aquele corpinho pequeno nos lembra que há um laço, que há um motivo.
Que o amor está ali, mesmo nas noites em claro.
E, mesmo assim, a culpa bate.
A culpa que não nasce com a gente, mas é plantada pelas vozes de fora: as opiniões não solicitadas, os conselhos sem empatia, os julgamentos disfarçados de preocupação.
É uma culpa que diz que você deveria "ensinar" desde cedo, que o colo é excesso, que o carinho demais vai cobrar um preço.
Mas deixa eu te dizer uma coisa?
Não existe excesso de afeto.
Não existe amor demais.
E o colo, longe de mimar, ensina o bebê que ele é amado, que o mundo pode ser confiável.
A gente precisa de mais colo e menos culpa.
Mais braços estendidos e menos dedos apontando.
Mais empatia para entender que, em muitos momentos, segurar é a única resposta possível — e é a mais certa.
Nós não estamos errando por oferecer o colo.
Nós estamos acertando em cheio quando escolhemos acolher.
Nós estamos ensinando, com o corpo e com o coração, que o amor é o lugar seguro de onde a criança parte para descobrir o mundo.
E você? Quando foi a última vez que recebeu colo?
Porque mãe também precisa.
Colo em forma de apoio, de escuta, de “tá tudo bem”.
Colo que não julga, que não corrige, que apenas está ali — inteiro — para sustentar quem sustenta tanto.
Vamos falar mais sobre isso.
Vamos normalizar o colo.
Vamos soltar a culpa.
Porque no fim das contas, o colo é exatamente onde mãe e bebê se encontram — e, por um instante, tudo fica em paz.
Se você quiser compreender mais profundamente o que está por trás das mudanças do sono e como apoiar o seu bebê em cada fase, a Academia do Sono Infantil está aqui para te ajudar. O nosso Método A.M.A.R. pode te guiar com leveza, empatia e base científica — ajudando sua família a viver o descanso como ele deve ser: natural, respeitoso e cheio de amor.
Por Mariana Friend
Especialista em Sono Infantil, fundadora da Academia do Sono Infantil e criadora do Método A.M.A.R., um modelo de acompanhamento que une ciência, vínculo e respeito ao ritmo único de cada bebê.




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